PRÉ-HISTÓRIA

No quintal da minha pobre casa na Rua da Raposa,
em Santa Inês do Maranhão, no Vale do Pindaré
eu imaginava uma grande fazenda: uma instância:

tomei um cabo de vassoura e lhe improvisei um cabresto:
tinha nascido um lindo cavalo mais belo que Rocinante,

as ervas daninhas eram o melhor pasto de toda região
e o poço era o açude pelo qual fazendeiros brigavam.

Por certo que o cabo de vassoura não era um cavalo,
as ervas daninhas jamais alimentariam qualquer animal
e tampouco o poço interditado seria um açude viçoso.

Isto já não importava: havia aprendido a sonhar.