Paulo Roberto Falcão quando criança
tinha os cabelos em cachos dourados:
parecia um anjo da Renascença.
Por destino Falcão voa alto e com a destreza de dribles
e sua elegância no porte de conduzir a bola com altivez
pôs os romanos aos seu pés: tornou-se Rei de Roma.
Numa noite fria de 30 de julho de 1906 em Alegrete
nascia um outro anjo: todo feito de palavras e brisa:
de brisa que se aquece no humor das entrelinhas.
E o tempo sem nada por fazer, correu seu curso
e o anjo poeta tal um passarinho foi pousando
de hotel em hotel na vastidão de Porto Alegre.
Pousou no Majestic, imponente arquitetura europeia
mas a falência – não raro – visita algumas majestades:
o poeta Quintana nem invocou o anjo Malaquias,
pois antes disso, surgiu aquele anjo da Renascença
de cachos dourados e asas de tonalidades generosas
e num gesto de reverência beijou os olhos da poesia.
Naquele instante, Sua Majestade, o Rei de Roma
desejou abrigar o anjo poeta por toda eternidade
o anjo da Renascença sabia:
o sentido da vida é o outro.