Na cidade em que nasci não havia rio, riacho, açude,
mas havia um poço bem fundo no quintal de casa:
e duvidava que existisse tanta água em um só lugar
(admirava no poço a água em formato de bola).
Tinha vontade de dar um nome para o meu poço.
Ouvi papai dizer que oceano era o mundo das águas.
Estava decidido: meu poço ia se chamar oceano.
Até que aos 5 anos fomos todos à capital e vi o mar.
Papai disse: — Tá vendo quanta água? Não é lindo?
Eu sorri, mas não disse nada, em verdade não gostei:
era a água espalhada se jogando raivosa, dava medo.
Bonito era meu oceano, tranquilo em formato de bola.