a Carlos Evandro M. Eulálio
Enquanto canta a vanguarda em sutilezas
Homero solfeja a tradição em lira delicada
e o verso lapida em clássico o moderno
na erudição cintilante do legado eterno,
pois é da arte o labor de significar o belo,
que habita nas entranhas pueris dilaceradas
em busca de um sentido agridoce do elo
que une do ser todas as pontes encantadas
na mitologia que revela o afã deste mistério
de transbordar sobre si mesmo o universo
cultivando o rigor de toda forma e o critério
a serviço da lógica metafísica e seu reverso
e por destino viver na intensidade do breve
encantado na urdidura singular do verso.