a Socorro Santos
Digo Deus,
dizes poesia:
é tudo
tudo
tudo
epifania.
Tantos os deuses em derivação:
água Renoir
flor primavera
Rimbaud amor
(…) e o mistério de permeio espreitando o encantamento.
Talvez a trindade em Cristo
ou a unidade polifônica do universo.
Ou ainda
uma tarde desperdiçada em azul indo ao banal:
transfiguração da realidade rumo à vida.
Deus e poesia se tocam pelos átomos da beleza em suspensão,
porque desde o princípio o verbo cintila mistério.